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Genesis | Curiosidades da história da moda
 
Jeanswear
Por Fernando Schubach

“Jeanswear se refere à linha de vestuário surgida em meados dos anos 1950, expressando a cultura norte-americana. São utilizados o brim e o índigo blue, sempre associados a trajes informais, independente de corte ou modelo.” (Dicionário da moda 2002).

Por volta de 1850, no auge da corrida do ouro e conquista do oeste norte-americano, inúmeros mercadores aproveitaram o trabalho nas minas e de exploração para vendas de ferramentas, mantimentos, roupas e lonas. Devido a este excesso de oferta, o mercado ficou saturado.

Com um grande estoque de lonas e sem conseguir mercado para as mesmas, Levi Strauss passou a procurar outra aplicação para o produto. A fim de realizar uma experiência, Strauss confeccionou duas ou três peças reforçadas com a lona que possuía e disponibilizou-as aos mineradores. O sucesso foi imediato. Sendo altamente resistentes, as roupas não se estragavam com facilidade e proporcionavam uma durabilidade muito maior. Levi Strauss nasceu na Baviera, atual Alemanha, que se mudou para os Estados Unidos em 1847. Primeiramente, fixou-se em Nova York, onde abriu uma alfaiataria.

Segundo historiadores, em um determinado dia, um dos mineradores pediu a Strauss que lhe fizesse uma calça com aquela lona resistente, tendência que logo acabou sendo adotada pelos trabalhadores da região. Foi Levi Strauss quem transformou um tecido de baixo custo em uma calça adequada para uso de mineradores e vaqueiros.

Alguns anos depois, ele passou a confeccionar calças a partir de um tecido francês, um brim azul, vindo da cidade de Nîmes que em seguida transformou-se em denim. Eram calças azuis, tintura obtida a partir de folhas de uma planta chamada indigueiro, daí a origem da palavra índigo, até hoje utilizada para referenciar esta cor.

Em 1872, afinal, Levi Strauss registrou a patente de sua invenção. Mas ainda faltava o alfaiate Jacob Davis, um personagem fundamental para a história dos jeans, a quem Strauss se associou, e com quem criou o modelo básico de calça que conhecemos hoje, a popular five pockets, com cinco bolsos e rebites de metal nos pontos de maior tensão. Após a proliferação social do seu conceito como roupa despojada e do cotidiano, o jeans conquistou o restante da população sem perder seu charme e elegância. Consagravam-se, então, os "gigantes do Jeans", como : Levi's, Lee e Mustang.
Foi apenas no século XX, entretanto, que o jeans passou a ser utilizado diariamente, virando moda com a geração baby-boom,na década de 50 e 60. O número 501 marcava o lote de tecidos das primeiras calças jeans de que se teve notícia, sendo criadas até os dias de hoje, mantendo sempre a mesma linha.

Em 1910 as calças jeans começaram a ter bolsos traseiros, mas foi só em 1953 que a marca Levi’s criou o primeiro modelo feminino.

Pode-se afirmar que o jeans aparece na história da moda e da sociedade interpretando vários papéis: desde símbolo máximo da juventude e rebeldia, quando surge em meados 1950 nas telas de cinema vestindo astros como Marlon Brando e James Dean. Ou mesmo como roupas de trabalho pesado de cowboys ou vaqueiros, despontando como um tecido para todas as idades, além de representar a linguagem de uma geração.

Em 1958 é lançada a lycra, dando melhor vestimenta e caimento às peças, que eram de início tão grossas que ficavam em pé sozinhas.

O casual avançou tanto que os estilistas perceberam a necessidade de introduzir também mudanças na moda clássica, tornando-a mais moderna. O primeiro estilista a colocar o jeans na passarela foi Calvin Klein, já na década de 70, causando choque e indignação aos mais conservadores.

Esta atitude, no entanto, foi logo seguida por outros nomes da alta costura como Jacques Fath, Pierre Cardin, Givenchy, Pierre Balmain e Van Cleef Arpels, os quais acabaram por ligar suas etiquetas à trajetória do jeans como moda, tornando-o um fenômeno bastante singular e conquistando seu espaço na sociedade. Algo que marcou também essa geração foi o Woodstock , com os hippies que usavam calças jeans boca de sino, sendo que as calças das mulheres já tinham o cós baixo.

Na década de 1980, o jeans aparece com brilho nas pistas de dança, em um tom índigo e sem lavagens. Os estilistas europeus colocaram nessa época pela primeira vez em suas coleções de prêt-à-porter o jeans, recebendo um tratamento especial, em relação às formas e cores. O jeans passou a ser visto não mais como uma peça isolada, mas sim como parte da moda esportiva casual. Criou-se, então, o conceito de jeanswear, que inclui, além do denim, outros tecidos à base de algodão, brins, sarjas e malharia. Assim, o jeans, hoje com vários modelos (justos, baggys, saint tropez, boca-de-sino, rasgados, bordados, capris, etc), modelagens e lavagens, tornou-se um tipo de moda nascida não pela imaginação dos estilistas, vinda de cima para baixo; mas de baixo para cima, acabando por se tornar um clássico da roupa. Usado em todos os continentes por trabalhadores do campo e da cidade, foi adotado tanto por ricos quanto por pobres, curiosamente sempre conservando as características originais das primeiras calças feitas por Levi-Strauss. Atualmente, oito em cada dez consumidores fazem do jeans um item básico em seu guarda-roupa.

Curiosidades
Você conhece o processo de lavagem do jeans? Se não, confira esse vídeo que e aprenda várias técnicas que são aplicadas no denin. www.youtube.com/watch?v=ESHma8XjmGI

Conheça os principais processos de lavagem do jeans:
• Advanced Color: Processo rápido e econômico em baixa temperatura à 60ºC que, caracteriza-se pela utilização de um produto catiônico (Interactive) específico para o pré-tratamento da fibra celusósica antes do tingimento. A fase tintorial é feita com os corantes reativos de alta geração selecionados para este processo à 60ºC, conforme procedimento em nosso catálogo de cores.

• Bigodes Tridimensionais: Efeito que simula as marcas do tempo nas regiões das roupas que sofrem maior desgaste (parte da frente da calça na altura do cavalo). A mesma técnica tem sido aplicada também em peças 100% algodão, como as camisetas. Podem ser feitos vários tipos de bigodes tridimensionais, como :
- Bigode com grampo
- Bigode na prensa
- Bigode Natural

• Black Desbotado: Este é o principal tipo de lavagem. O jeans black fica totalmente desbotado e com aspecto Vintage (envelhecido).

• Clareamento | Bleaching: Técnica que usa permanganato de sódio ou outro descolorante químico, como o cloro para clarear a peça.
Corrosão: Processo utilizando permanganato, aplicado na peça com giz. É passado nas costuras, bolsos e detalhes, dando um efeito mais claro na peça.

• Craquelado: Efeito obtido com o uso de pinos e prensa térmica em algumas partes da peça beneficiada, como na parte de trás da barra da calça, próximo dos bolsos e na altura das coxas.

• Deep Blue | Black on Blue: Baseado na técnica doublé-dyed denim. No processo, o fio de urdume é tinto em azul e depois sobretinto em preto ou azul, de modo que com uso e as sucessivas lavagens o azul que está embaixo começa a ser revelado. O mesmo efeito pode ser obtido na lavanderia com a peça já pronta confeccionada em denin azul e depois sobretinta em preto ou outra cor definida pelo estilista.

• Délavé ou Bleached: Processo curto de tingimento, muito usado na preparação de chambray e denim leve que resulta um tecido com tonalidade bem clara de azul.

• Destroyed: Destruído. Lavagem parecida com a estonagem combinada com alvejamento. Nesse processo é empregada uma quantidade maior de enzimas que chegam a corroer a fibra, deixando a peça com aspecto de surrada. Áreas nas quais o atrito é maior, como a barra e o cós, ficam puídas.

• Dirty Blue: 1 - Pode ser feito durante o processo de fabricação do tecido, quando o fio do urdume recebe dois tipos de corantes (o fio é tinto de uma cor e depois sobretinto de outra). 2 – O efeito dirty pode ser conseguido durante o processo de beneficiamento da peça já pronta na lavanderia. Nesse caso, a roupa recebe um tingimento rápido com a cor escolhida pelo estilista e, em seguida, é submetida a uma lavagem para eliminar o excesso do corante aplicado. Com isso, o fio da trama acaba absorvendo parte do corante, criando o efeito dirty (do inglês, sujo).

• Dusty Wash : lavagem realizada em tecido estonado que recebe corantes acinzentados. Indicado para peças prontas.

• Estonagem ou Stonewash: Técnicas usadas para acelerar o desbotamento ou clareamento do jeans. Apesar do termo stone (do inglês, pedra), o processo pode ser realizado usando diferentes materiais. Apenas com pedra ou só com enzimas ou com a mistura dos dois. A intensidade do desgaste depende do tamanho da máquina lavadora, do número de pedras usado para o atrito, da quantidade de enzimas, entre outras variáveis. Lavagens como essa demoram, em média, uma hora. O aspecto desgastado fica mais intenso nas regiões de costura, bolsos, vistas, cós. Pode ser aplicada também em peças tingidas ou estampadas. No Brasil, a pedra mais usada para tratamento é a cinasita.

• Fix-Pin: Técnica que consiste em prender pinos de plástico em partes previamente escolhidas pelo estilista ou laundry design, para depois submetê-las a uma lavagem com atrito. No final, os pinos são soltos revelando rugas acentuadas e nuancias no tecido. Nas camisetas, com o tempo e as lavagens caseiras o efeito vai desaparecendo.

• Fire Wash : lavagem realizada em jeans escuro (índigo ou black) com corantes vermelhos que produzem tons próximos aos do fogo ou aos de terras barrentas. Efeito é melhor obtido em peças confeccionadas.

• Gold Wash : lavagem realizada em jeans que tenha uma base estonada média com sobretinta em tom cáqui, dando efeito de envelhecimento. Indicado para peças confeccionadas.

• Jato com Areia: Técnica de corrosão localizada usando jatos de areia aplicados com revólveres especiais. Já foi mais empregada. Tem sido substituída por processos menos agressivos à saúde do operador. O uso desse processo exige instalação de poderosos sistemas de exaustão e ventilação. Atualmente não é mais usado a areia, e sim o dióxido de alumínio, para proteger a saúde dos operadores, evitando o câncer.

• Laser: Técnica usada para marcar as peças usando raios de laser, que queima o corante do tecido. A aplicação é feita por equipamentos computadorizados, também conhecidos como robôs de aplicação. Como se trata de alta tecnologia, os equipamentos ainda são considerados caros e nem todos beneficiadores contam com demanda que justifique o investimento.

• Light Used: lavagem realizada em alvejantes químicos de alta densidade, provocando efeitos de desgaste e envelhecimento em jeans claros.

• Lixado: Método de abrasão manual ou mecânica. Desgasta a peça de jeans ao mesmo tempo em que amacia. O processo também pode ser feito por máquinas, garantindo a reprodutibilidade dos efeitos.

• Marmorizado ou Acid Wash: Processo de envelhecimento para índigo, sarja, malha 100% algodão e malharia retilínea. – Consiste na oxidação da peça usando pedras cinasitas, tampinhas de metal de garrafas, rolhas ou outros materiais associados a descolorantes químicos, como cloro ou permanganato. O efeito pode ser marcadamente branco ou envelhecimento uniforme com desbote um pouco mais acentuado na área próxima às costuras.

• Mud Wash : lavagem realizada em jeans azul ou preto escuro com sobretinta verde, muitas vezes produzindo efeito de camuflado.

• Overdyeing: Processo de sobretingimento. Vale tanto para o fio como para a peça pronta.

• Paint color: É um tipo de pigmento. A peça é colocada em uma esteira onde são respingadas tintas coloridas. As cores mais utilizadas são branco e preto.

• Peletizado: Processo mecânico de lixamento, que torna o tecido macio ao toque. Referência à pele de pêssego.

• Pigmentos: Normalmente é um dos últimos processos que a peça passa, com uma pistola são aplicados pigmentos à peça que simulam cores de sujeira, como barro, poeira, encardido, entre outros, dando a peça uma cara de envelhecida.

• Pré-Washed ou Amaciado: lavagem realizada com a finalidade de amaciar o tecido, por meio de enzimas amaciantes ou silicone. Sem acabar com a solidez do índigo, esta lavagem torna o produto agradável no toque e uso. Não muda o tom do tecido.

• Puído: Desgastar a peça em lugares como barras, parte de cima dos bolsos, pernas, dando o efeito de desfiado, rasgado, utilizando pedras e rebolos em maquina de alta rotação (retifica).

• Raw (bruto): Aspecto de bruto, puro ou “no-washed” (não lavado). Este look aparece ainda mais evidenciado com efeitos amassados, dando um aspecto amarrotado à peça.

• Resina: É utilizada para “segurar” o azul do jeans (mantém o jeans escuro). E também para “segurar” o efeito craquelado e bigodes tridimensionais.

• Snow Wash: lavagem realizada com respingos aleatórios de material químico corrosivo, que embranquece a peça pronta em determinados lugares como se fossem flocos de neve.

• Sulphur Ecoldye: É um método rápido de tingimento sulfuroso cationizado sobre peças confeccionadas em PT e Jeans; podendo se criar diversos efeitos diferenciados após tingimento tais como : corrosão, puídos, marmorização, bigodes resinados, pigmentados etc.

• Super Stone: Técnicas usadas para fazer a marcação do tecido, não agredindo a fibra. O processo é realizado com a mistura de pedra e enzima. A intensidade do desgaste depende do tamanho da máquina lavadora, do número de pedras usado para o atrito, da quantidade de enzimas, entre outras variáveis. O aspecto desgastado ou de usado fica mais intenso nas regiões de costura, bolsos, vistas, cós. Pode ser aplicada também em peças tingidas ou estampadas

• Super Claras e Ice: Lavagens agressivas com sujinhos nos tons cru e areia (aspecto empoeirado) e também lavagens que dão efeitos descoloridos e alvejados, que vieram para atender a necessidade de tons mais fáceis de manter, substituindo os tons brancos do verão, que exigem muitos cuidados. Dentre os processos, encontramos: alvejamentos mais fortes e redutores.

• Super Stonewash: Processo de lavagem que pode levar mais de seis horas, dependendo do efeito que o estilista pretende dar à peça. O efeito de envelhecimento é mais acentuado nas costuras e nos bolsos.

• Tie-Dye: Técnica de branqueamento ou tingimento aplicada ao tecido ou à peça já pronta. A peça ou o tecido são torcidos e mergulhados em corante, de forma que ao ser aberto terá aparência de manchado. Visual muito usado entre os anos 60 e 70, que voltou à moda a partir de 2000.

• Used: Como o termo em inglês indica, tipo de beneficiamento que deixa o tecido ou a peça pronta com aspecto de muito usado. Para obter esse efeito, é usado jato de permanganato, de areia, alumínio, entre outras substâncias.

• Vintage: Tratamento à base de enzimas, com ou sem branqueamento. O efeito é de uma roupa antiga, daquelas compradas em brechó