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Genesis | Curiosidades da história da moda
 
A casa Gucci
Por João Victor Pereira

Vestidos deslumbrantes. Alguns com decotes provocativos. Perfumes com aromas exóticos e inconfundíveis. Sapatos clássicos com ares modernos. Bolsas que são carregadas por lindas e famosas mulheres nos quatro cantos do mundo. Celebridades, escândalos, enormes fortunas e muito glamour sempre foram associados ao nome GUCCI, marca que mais sintetiza a elegância italiana.

A história
Guccio Gucci, filho de um artesão de origem humilde, adquiriu bom gosto e elegância encantando-se com o luxo das malas com brasões das famílias nobres enquanto trabalhava como ascensorista e posteriormente Maitrê no famoso e requintado hotel Savoy de Londres na virada do século 19. Em 1921, depois de seu retorno para cidade de Florença, abriu uma pequena loja com um capital de 30 mil Liras, para venda de acessórios de viagem (malas e valises de luxo), feitos artesanalmente pelos melhores artesões da cidade, incluindo membros da família. A alta burguesia e a nobreza florentina logo reconheceu a excelência e originalidade dos produtos e em pouco tempo a marca superou os limites da cidade, impondo-se como uma das mais conhecidas entre a elite do país. Necessitando expandir seu negócio, que agora fabricava também malas de mão, a empresa mudou-se para um lugar maior em Lungarno Guicciardini em 1937.

Com o grande sucesso de seu negócio e clientes famosos, a marca abriu sua primeira loja na cidade de Roma em 1938 no requintado endereço da Via Condotti. No ano seguinte seus filhos, Aldo, Vasco e Ugo, ingressaram no negócio. Em 1947 a GUCCI lançou no mercado o que viria a se tornar um ícone da marca: a bolsa com alça de bambu. Somente no final desta década a GUCCI adotou oficialmente o logotipo GG, que continha duas letras G, uma normal e outra invertida, entrelaçadas. O novo logotipo começou aparecer em todas as bolsas e malas da marca, dando um ar mais aristocrático aos produtos. Pouco tempo depois, outro filho do estilista, Rodolfo, ingressou na empresa e abriu uma loja na cidade de Milão em 1951. Dois anos mais tarde, falecia o fundador da empresa. Neste mesmo ano seus filhos, Aldo e Rodolfo, abriram uma loja na cidade de Nova York, onde as estrelas de Hollywood fizeram brilhar a marca florentina nas capitais do luxo de todo o mundo, seguida de unidades na Philadephia, San Francisco, Beverly Hills, Palm Beach e Chicago, dando início à internacionalização da marca GUCCI.

Ainda nesta década a marca lançou outro ícone, o mocassim com fivela de metal, que se tornou um dos principais produtos da empresa, além da assinatura verde e vermelha que se tornou um dos principais símbolos de identificação da GUCCI. Nesta época, celebridades como Sofia Loren, Ingrid Bergman, John Kennedy e sua então esposa Jaqueline Kennedy eram alguns dos fiéis clientes da marca. Essas celebridades eram constantemente fotografadas portando artigos clássicos da marca, como a bolsa com alça de bambu ou o mocassim com bridão. Na década seguinte a empresa já vendia seus produtos em lojas próprias nas de cidades Londres, Paris, Tóquio, Chicago e Hong Kong. Grace Kelly, Peter Sellers e Audrey Hepburn contribuíram para que a marca se tornasse sinônimo de bom gosto e sofisticação na badalada Hollywood, ganhando inúmeros adeptos entre as estrelas do cinema mundial.

Em 1989, quando a imagem da marca começava a se deteriorar no mercado de luxo, Domenico Del Sole, funcionário de um dos escritórios de advocacia americanos que prestavam serviços à Gucci, foi indicado para moderar e buscar soluções para as divergências internas da empresa, especialmente entre os membros da família. No mesmo período a Investcorp, empresa de investimento árabe, adquiriu 50% do capital da empresa com a saída de Aldo Gucci. Maurizzio, o último membro da família trabalhando na empresa, acabou vendendo sua parte das ações em 1993 por não se entender com o grupo de investidores. Com Maurizzio fora, a marca passou a ser liderada por Domenico Del Sole, que transferiu a sede da empresa de Milão para Casellina e nomeou Tom Ford – que já trabalhava na grife desde 1990 – diretor de criação. Começava aí a nova fase da GUCCI. Além do relançamento das bolsas com alças de bambu e dos mocassins com bridão, ele passou a assinar todas as coleções, escolher os fotógrafos, decidir o tema das campanhas e até escolher a arquitetura e decorações das lojas. Os rostos nas campanhas também mudaram. Audrey Hepburn e Grace Kelly deram lugar à Madonna e Tina Turner.

Em 2000 a empresa pertencia a um grupo de acionistas, entre eles Bernard Arnault (dono do grupo de luxo LVMH) e François Pinault (atual dono do grupo PPR). Embora Arnault quisesse aumentar suas ações para ter mais controle sobre a empresa, Del Sole e Ford conseguiram privilegiar Pinault, que através de negociações meio que impostas, foi aumentando seu capital até tornar-se o único proprietário da GUCCI em 2004. No mesmo ano, Del Sole e Ford saíram da empresa e a estilista de ascendência romena Frida Gianini passou a responder pela direção de criação da marca. Com dinheiro em caixa e criatividade de sobra, a GUCCI voltou aos editoriais de moda e às capas das revistas de negócios. Foi a mais retumbante volta por cima da moda internacional, criando uma tendência no mercado do luxo.