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A MODA PENSADA
Por Camila Biscardi e João Victor Pereira

No último dia 3 de novembro estivemos em São Paulo para cobrir um evento de conteúdo fashion, o Pense Moda. Idealizado por Camila Yahn, Marcelo Jabour e Babu Bicudo, o projeto surgiu da idéia de reunir profissionais nacionais e internacionais da área de moda para debaterem assuntos que incentivam o crescimento da moda brasileira.

Foram três dias de muita reflexão, debate e aprendizado sobre o universo da moda com nomes de peso como Cecília Dean, editora de moda e criadora da conceituada revista Visionaire, o stylist Paulo Martinez, a consultora de estilo Gloria Khalil, o filósofo e escritor norueguês, Lars Svendsen, o estilista Carlos Miele, o diretor de arte e cenógrafo Jean Michel Bertin, responsável pelas campanhas, desfiles e vitrines da Hermès, Lacoste e Miu Miu, entre muitos outros.

O Pense Moda que já está na sua terceira edição, tem como público alvo os profissionais de criação, comunicação, marketing, empresários, bureaux de tendência, jornalistas, editores, consultores e estudantes, aconteceu este ano na FAAP em São Paulo com uma estrutura impecável. O resultado foi excelente! Com patrocínio das lojas Renner e transmissão online de qualidade, ofereceram uma publicação com textos das primeiras edições do Pense Moda. Os participantes receberam uma pulseira (xadrez para eles, floral para elas) para terem acesso ao evento e um brinde da Renner, junto ao material, que incluía bloco de anotação, lápis e um livro lindíssimo.



O evento
A modelo e apresentadora Marina Dias foi a mestre de cerimônias do evento. As palestras tiveram início com o hair stylist australiano David Mallett que é responsável por cabelos de estrelas como Penélope Cruz e Demi Moore. David contou sobre sua trajetória de vida e seus trabalhos como colaborador da Vogue francesa, além de suas campanhas para Chanel e Dior.

Em seguida, a toda poderosa editora das revistas Visionaire e V, Cecília Dean, deu continuidade aos debates da primeira noite. Em seu depoimento, Cecília contou como nasceu, em 1991, a Visionaire, uma das revistas mais influentes e modernas sobre artes. A revista é publicada trimestralmente e um exemplar chega a custar U$250.

Fechando a agenda de seminários do dia, houve mesa de debates sobre “O Futuro da Mídia” com a jornalista Alexandra Farah, Andréa Bisker, diretora do WGSN, Paulo Caruso, O2, Fernand Alphen, da F/Nazca e Sebastian Orth, da Surface to Air e bate-papo com Glória Khalil.

A segunda noite começou com debate em torno dos “Negócios da Moda” e teve o estilista Fause Haten, Roberto Davidowicz, da UMA, e Geni Ribeiro, consultora de produto da Abit, discutindo sobre a atual situação da moda no país. As estrelas da noite foram os franceses Maroussia Rebecq e Jean Michel Bertin. Maroussia é estilista da Andréa Crews, e extremamente criativa. Numa demonstração incrível no palco, transformou uma peça de segunda mão em uma nova linha de roupas. Vamos explicar melhor: ela transformou seu vestido chemisier, primeiramente num bolero e em seguida, usando as mangas como calças, fez uma sarouel, tudo isso sem, se quer, recortar a peça! Toda sua produção é feita a partir de roupas usadas. Jean Michel Bertin é bem mais tímido, mas tão talentoso quanto. Seus vídeos da Louis Vuitton, Marc Jacobs/Emprise e Pharell Williams Joaillerie e fotos das vitrines e campanhas que fez para grifes como Hermès impressionaram a todos na platéia. Por último, rolou um bate-papo com Carlos Miele, que falou um pouco sobre sua carreira internacional.

Jean Michel Bertin:

Quem abriu a última noite de palestras foi o tão esperado filósofo e escritor norueguês, Lars Svendsen que comentou sobre crítica de moda. Lars afirma que a moda não tem embasamento crítico e por isso não é levada a sério. “A imprensa não pode gostar de tudo, é impossível! E se você nunca rejeitar algo, suas críticas positivas não valerão de nada”, disse Svendsen.

Em seguida, a jornalista Renata Simões mediou o debate quente sobre streetwear entre Alberto Hiar (Cavaleira), Baixo Ribeiro (galeria Choque Cultural) e Carol Sanches (profissional de marketing especializada em streetwear). Segundo Baixo Ribeiro, a indústria atentou aos movimentos de rua como forma de inspiração. Para Alberto, o streetwear vem do hip hop e do skate. “As calças largas dos rappers têm origem nas cadeias de Los Angeles. As peças, em tamanhos inadequados, eram amarradas com cordas para não cair, explica Hiar. Já Carol Sanches acredita que a mistura de estilo e a referência em diversas tribos está fazendo com que o streertwear ganhe um novo nome: urbanwear.

Paulo Martinez, stylist e editor chefe da revista Mag, encerrou o evento com chave de ouro. Deu uma verdadeira aula de profissionalismo e vida. Dicas preciosas para quem é apaixonado pelo mundo da moda. Martinez confessou ter aprendido com Regina Guerreiro a nunca olhar revistas de moda do último mês para ter inspirações e sim a ler e pesquisar livros de arte para ter uma interpretação própria. Para quem está começando, um conselho – “Gente jovem precisa estudar, “baixar o facho” e saber que os editores de moda sabem mais do que eles no set. É difícil”, desabafa Paulo.

 

Bem, ano que vem tem mais! E para quem perdeu, não deixe de assistir aos vídeos sobre o evento no site do Pense Moda (www.pensemoda.com.br).

Sabatina com Carlos Miele:

Palestras:

 

Melissa Teyre:                                                                      Detalhe do zipper caveira em sua unkle boots:

Ingrid Vilella:                                                                        Luana e Angelica Duarte:

Leopoldo Caseiro:                                                                   Tania Cueto:

Gabriela Joa, Paula Putz, Fernanda Torres e Joelma Rosseto:

Lounge Pense Moda: